Excelente investimento. Compre esta idéia!
Apresentação de bolso, bem confeccionada, que pode se lida em qualquer tempo. Com um investimento mínimo você poderá enriquecer-se, despertar para outros modos de pensar a vida e a arte de ensinar. Trata-se de "Pedagogia da Autonomia", escrito por Paulo Freire. Pequeno mas consistente, o livro se detém na prática educativo-crítica e a formação docente. Segundo o próprio autor, o texto é aberto a contribuições, de acordo com a visão crítica do leitor(p.13). Como já escrevia o rei Salomão no séc. X a.C. recordando lições de seu pai:"A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria; sim, com tudo que possuis, adquire o conhecimento" ( Provérbios5:7). Esta é uma aquisição que vai fazer diferença. Alerto: re-leitura poderá ser necessária, o que o fará enxergar de novos ângulos e o enriquecerá ainda mais. Bom proveito!
Ler "Pedagogia da Autonomia"¹ é como estar ouvindo Paulo Freire. O autor, como um cicerone, o fará ter agradáveis (e raras) lembranças de professores que marcaram seu aprendizado de forma positiva e outras, múltiplas, de verdadeiro sofrimento durante todo um ano letivo, que na fala dos nossos adolescentes "ninguém merece"... O texto traz o aprendiz como ser inacabado, portador de conhecimentos prévios, trazidos de sua vivência, sua comunidade, ainda em buscas, o que poderia ser usado com fins de crescimento intelectual, social, político, afetivo e ético, ao invés de serem extirpadas; que possui curiosidade e rebeldia naturais, nem sempre resolvidas, não alimentadas; nem sempre respeitado, como ser pensante que é ou que poderia vir a ser, tanto pelo professor quanto pelas condições em que vive. Indivíduo que, no conceito de muitos educadores, serviria para "depósito de informações", muitas vezes decoradas, um conteúdo dado sem resultados práticos. Em havendo estímulos, criação de condições e se for despertado para contribuir com seu próprio aprendizado, torna-se capaz de intervir na sua existência e no mundo. O outro personagem, o educador- professor-formador. Deste se exigiria formação científica e constante, correção ética, coerência de atos e falas, capacidade de conviver e aprender com as diferenças, capacidade e interesse em despertar o gosto pela produção do conhecimento com participação do próprio aluno que, de saber ingênuo, passaria a conhecedor com rigorosidade metódica, epistemológica - termo muito usado no texto . Em diversas ocasiões o autor utiliza a gramática para facilitar a exposição de suas idéias. Assim que a conjunção mas, o verbo ensinar, o advérbio já e outros exemplos vão esclarecendo que não cabem situações de racismo,de intolerâncias à diversidade; ensinar e não depositar conhecimento no aluno, o que é fazer o aprendiz atinar, perceber, compreender de forma prazerosa, com liberdade mas respeito, responsabilidade, autoridade sem autoritarismo, etc. Com estes e outros exemplos seguimos acompanhando o mestre, aprendendo a aprender e um pouco a ensinar. Seguimos com o autor retornando aos assuntos previamente tratados (como método mnemônico ?). Descreve sobre a competência profissional exigida, o uso do bom senso, o comprometimento, a humildade, a alegria, a esperança, a disponibilidade para ouvir, respeitar, afeiçoar-se ao aluno, a luta pelos direitos da classe laboral e a possibilidade de interferir no mundo com o "pensar certo", ou seja, a pedagogia crítico-construtiva. Ao fim da leitura fica a sensação que há muito o que construir, o que buscar e principalmente, que existem possibilidades de atuação. Contribua!
¹ FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.36. ed. São Paulo:Paz e Terra,1996.